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terça-feira, 13 de abril de 2010

Ocaso

Aponta, parte e pronto
Terminado.
Acabado tal qual se finda aqueles filmes de roteiro batido
Dos quais jamais queremos ser protagonistas e sempre o somos.

Um chão nublado sob um céu esburacado
O desgosto em irromper a marcha
A miopia visionária que nos tolhe de ver o nascer do sol

Sempre nos parece, à essas horas, que jamais se verá o raiar após o ocaso.
Mas isso nunca acontece.

Mesmo com tanta terra em frente aos nossos olhos,
Sempre haverá a cegueira da primeira visão,
do descostume com a luz.

E lá vou eu mudando o foco do poema.
Será?

Nascer e morrer... é como se sente ao som dos passos cada vez menos ecoados
no corredor agora vazio.

Sinto janelas cerradas.

Mas sempre se sente isso.

Deixem-me (ou não) curtir o ocaso
Pois é inverno e não sei quando amanhecerá novamente.
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Nota: Não gosto de poemas com explicações. Tire a sua. O primeiro texto desse blog fora exceção. Afinal estava metafórico deveras, mesmo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mito ou logia

Escorre da mão.
Quando vê, já não é.
Ou é, mas é pretérito.
Ou é, mas é lembrança.
Ou é, mas é tristeza.

Ah, mas as quimeras... essas quimeras ficam!
Como mitologia ou quimerismo?

Problema é quando - saudoso Augusto dos Anjos -
é a quimera quem engole a quimera!
Ah! quem me dera fosse última, ela.

Sucessivos apogeus ao Olimpo e voltas ao Hades.
Só sinto que minhas moedas são limitadas e em número ímpar.
Caronte não faz viagem de graça...

Só resta saber: as que tenho me deixarão do lado de lá, ou cá?
Entrego todas as moedas ao balseiro?

Não me haverá Pégaso para alçar vôo,
Só Cérbero para afagar ad eternum.

A mão da sorte é aquela que te dá tapinha nas costas
E quando você dá as costas,
Te esgana.

Antes com Hades, que com Zeus, Poseidon, Aries, Belerofonte...
Ah, somente Atenas para ordenar do chão, colchão
E evitar a morte da queda do Cavalo Alado.

Belerofonte versus Quimera.
Só há vitória com o vôo que além do desta.

Mas e o Pégaso, quem adestra?
À destra.

Vejo cíclico este poema, assim como a vida.

Quanta mitologia!
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Explicações (não todas) para elucidar os perdidos:

Quimera: É uma figura mítica grega com cabeça e corpo de leão, além de duas outras cabeças, uma de dragão e outra de cabra. Também simboliza, pelo seu aspecto fantasioso, ilusões, sonhos, advindo, pois, o termo quimerismo.

Olimpo: Local onde residiam os deuses gregos

Hades: Inferno onde iam as almas humanas

Caronte: Barqueiro que, ao custo de uma moeda, atravessava os espíritos ao Hades. Costumava-se por duas moedas aos olhos dos falecidos, na Grécia, para, em havendo possibilidade de retorno do mundo dos mortos, pagarem novamente ao Caronte a travessia de volta.

Pégaso: Cavalo alado da mitologia.

Cérbero: Cão mitológico que guardava a porta do Hades.

Hades, Zeus, Poseidon, Aries: Deuses masculinos gregos.

Belerofonte: Herói grego, que domou Pégasus

Atenas: Deusa grega.

Belerofonte versus Quimera: Belerofonte lutou bravamente contra a Quimera, derrotando-a, com a ajuda de Pégasus. Todavia, Belerofonte foi derrubado de Pégasus, por não dominá-lo tão bem, e fora salvo por Atenas que transformou o chão em algo macio, evitando a morte do semi-deus.